Arquivo | agosto, 2011

O vergonhoso atendimento de saúde à gestante

29 ago

Ontem, assistimos no Fantástico, mais uma reportagem sobre o caos no atendimento à mulher grávida e seus bebês. Segundo a reportagem, na cidade de Barreiros, no interior de Pernambuco, só existe atendimento médico no hospital de segunda a quinta-feira. Bom, desse jeito só resta às gestantes parirem nesse horário pré-estabelecido. Como isso pode ser cogitado?  Ou pior, como isso pode ser aceito pela Secretária de Saúde local? O que mais entristece é o fato de que isso não é algo pontual, mas sim bastante predominante no país. Enquanto nada se faz, as mulheres e seus bebês morrem à beira de hospitais, sem a menor assistência.

Obviamente, nem todos os partos precisam de um obstetra, mas sim de uma equipe de saúde de qualidade. Parteiras são profissionais capacitadas para realizarem partos sem complicações, trabalhando em conjunto com obstetras, encaminhando casos mais graves. Contudo, o que não existe é uma equipe de saúde decente, que trabalhe em conjunto e que pense no bem-estar da dupla mãe-bebê. Interesses corporativistas e falta de competência do poder público são problemas que precisam ser combatidos.

Frente ao descaso com a população, as taxas de mortalidade materna são altíssimas no país. Elas são o reflexo da falta de assistência de qualidade ao ciclo da gravidez, principalmente no momento do parto. As mulheres precisam ser atendidas com dignidade e respeito, evitando mortes desnecessárias, traumas e perdas.

Um caminho para combater esse caos é a denúncia e postura ativa das gestantes. É possível buscar ajuda nas ouvidorias das instituições de saúde, das prefeituras e poderes públicos, além dos Conselhos de Medicina. Lute por isso!

Você já ouviu falar em plano de parto?

22 ago

O plano de parto nasceu nos Estados Unidos e hoje é difundido internacionalmente. No Brasil, porém ele é pouco conhecido. Ele é um documento ou uma lista de planejamentos da gestante sobre a hora do parto. Pode contemplar itens como a aceitação de alguns procedimentos médicos, suas preferências sobre posições e técnicas de alívio da dor, quem poderá estar presente nesse momento, como será a interação com o bebê após o nascimento, entre outras. Um exemplo é a decisão de amamentar o bebê ainda na sala de parto, sem a separação imediata do bebê logo após o nascimento.

Em nosso país, o item mais conhecido é a busca da mulher pelo lugar ou instituição em que dará a luz. Hoje é comum que mulheres visitem hospitais e diferentes instituições de parto, visando encontrar um lugar ideal. Mas esse deve ser apenas um dos itens escolhidos pela mulher e não o único.

Infelizmente, é nítido que as mulheres brasileiras pouco sabem sobre seus direitos em relação ao parto e ao nascimento. Poder pensar em um plano de parto é tornar-se capaz de escolher, refletir sobre o que elas desejam para si e seus bebês. Um bom caminho para amadurecer o planejamento é a busca por leitura de qualidade, conversar com grupos de atenção à mulher gestante e uma relação de confiança com a equipe de saúde.  Deve-se apoiar e respeitar a elaboração de um plano de parto, pois ele é um reflexo das escolhas das mulheres!

Estou grávida! Sentimentos iniciais.

18 ago

Receber a notícia de uma gravidez é sempre algo surpreendente. Muitas sensações passam pela cabeça das mulheres, trazendo espanto, surpresa, felicidade, entusiasmo, medo ou todas elas ao mesmo tempo. É importante dizer que, na grande maioria dos casos, a mulher experimenta o que chamamos, na psicanálise, de ambivalência afetiva. Esse conceito diz respeito a esse emaranhado de sensações simultâneas que podem ser positivas ou negativas sobre a gravidez. Muitas vezes, as grávidas não têm consciência delas, assim, não se dão conta de sua existência. Essa experiência é perfeitamente comum e acontece com muita freqüência. Em alguns momentos a mulher nem sequer deseja estar grávida. Como a gravidez é uma situação de total mudança na vida de uma mulher ela traz em si mesma, expectativas sobre uma nova vida para aquela gestante.

Para as mulheres que esperam há muito tempo um bebê a sensação aparentemente é de alegria total; afinal, a espera é coroada pelo resultado positivo. Contudo, nem sempre é assim. Mesmo desejando muito um bebê, a sensação de estranhamento pode aparecer. Esse pode ser o caso das gravidezes fruto de reproduções assistidas, por exemplo. A mulher quis aquela gravidez e não entende porque não se sente totalmente plena. Tal fato pode ficar mais evidente em mulheres que não planejaram a gravidez: outras sensações, além das positivas, podem estar em destaque, como medo, rejeição à gravidez, sensação de perda de controle, pavor diante da ideia de um bebê. Em todos os casos, é interessante que a mulher possa ter amparo da família, companheiro ou amigos, ou seja, alguém com quem ela tenha vínculo afetivo.

Quando existe um comprometimento emocional da mulher e uma sensação muito ruim sobre a gravidez é interessante que ela busque ajuda de um especialista da área de saúde gestacional, como médico, profissionais da rede de saúde, psicólogos, enfermeiros, entre outros.

Gestantesemcrise: um novo blog para discussão de dilemas da maternidade atual

17 ago

Olá! Hoje está nascendo um blog muito especial, o gestante(s)emcrise.com Sim! Você pode entendê-lo de duas maneiras: gestantes em crise, ou gestante sem crise.  O pequeno trocadilho tem relação com as diferentes formas de gestar, muito diversas entre as mulheres.  O que para uma é um momento só de prazer, para outra pode trazer inúmeras dificuldades. Isso é o mais importante em minha opinião: discutir os problemas que também existem nesse momento e que não aparecem no discurso cotidiano. Enquanto a mídia, as amigas e todos ao redor só enxergam flores na gestação, como psicóloga, sei que existem períodos duros, experiências difíceis, que precisam de um lugar para ser discutidas e compartilhadas. Esse blog é uma tentativa de fazer circular informações, depoimentos e opiniões que reunirão a literatura cientifica, a opinião de especialistas e o discurso das mulheres tentando auxiliar gestantes e pais nesse novo momento de vida.

Entendo que ao não abordar somente o lado “cor-de-rosa” da gravidez poderei sair do senso comum: do que todos sabem, do que todos dizem, o que todos veem ou querem ver. Espero contribuir para discutir tudo de bom, mas também tudo de mais complicado na maternidade, fazendo que o desconforto e as angústias possam ser compartilhadas entre nós. Por isso conto com a colaboração de quem quiser participar!

Boa leitura! Um abraço!

Caroline