Arquivo | setembro, 2011

Sexo e gravidez: ainda um tema tabu?

28 set

Sexo na gravidez não é um tema atual. Entretanto, como se fala disso! Se o assunto não pára de se fazer discutir, podemos pensar que muitas dúvidas e questões estão em jogo. Os médicos são unânimes nesse ponto: se a mulher está bem, não há porque não fazer sexo na gestação.

Contudo, sabemos que sexo não é somente um ato biológico. Existem diversos sentimentos associados a ele, principalmente o desejo. É claro que o corpo da grávida está diferente e novos arranjos deverão ser feitos. É comum que um dos parceiros, senão os dois, tenha medo de transar. Isso deve ser levado em conta pelo casal que, então, poderá conversar sobre o assunto.

Geralmente o medo de “machucar o bebê” é a razão principal para evitar o sexo. Caso isso ocorra, pode-se pensar: o que está em jogo nessa recusa? Quais são as expectativas de cada parceiro nesse novo momento da relação? Às vezes, questões íntimas do casal e o desconforto com as mudanças de vida estão por detrás disso. Mostrar os sentimentos e falar sobre as transformações trazidas pela gravidez pode ser um bom caminho para o casal trabalhar a questão.

E desde quando filho salva casamento?

19 set

Existe uma frase popular bem conhecida que diz: “filho não salva casamento”. Contudo, na minha clínica é muito comum ouvir pessoas dizendo o contrário. Inclusive, algumas delas afirmam ter planejado uma gestação como uma nova chance para a relação, imaginando que tudo seria diferente com a chegada de um bebê. O que se passa na cabeça desses pais? Em que lugar a criança é inserida? O que esperar de uma relação baseada na chegada de um bebê?

Todas essas questões devem ser levadas em conta em qualquer gestação. Nos casos em que os pais já estão à beira de um divórcio é bastante comum que tudo ocorra diferentemente do planejado. Os problemas só se agravam. A chegada de uma criança requer dedicação, atenção e paciência. Geralmente, é um período de mudanças com turbulências normais para qualquer casal. Nesse momento é necessário diálogo e ajuda mútua na tarefa dos cuidados com o bebê.

Esse post nasceu da repetição de um tema que sempre se retorna: um filho não vem para salvar um casamento, mas é capaz de gerar muitas outras relações. É perigoso colocar na criança recém chegada tamanha responsabilidade. O bebê sofre ao receber um carimbo de seu suposto papel de conciliador. A estória afetiva do casal pertence ao casal.

Aborto no Brasil: uma questão de Saúde Pública

9 set

O aborto no Brasil é proibido e passível de punição legal para a mulher e a pessoa que ajudá-la a realizá-lo, como um profissional de saúde. Segundo o código penal brasileiro, que foi redigido em 1940, só existem duas situações em que o aborto é permitido: nos casos onde a gravidez foi resultado de estupro ou em situações em que há risco de vida para a mulher gestante. Essa legislação, apesar de antiga, encontra-se em vigor no país, sendo pouco discutida pelos parlamentares.

A realidade é diferente e precisa ser discutida por todos, em especial, as mulheres. Cada gravidez ocorre em um momento e pode ser esperada ou não. Apesar da lei, a prática é comum. Todo mundo conhece alguém que fez ou já pensou em fazê-lo. O número de mulheres que morrem ou ficam lesadas após um aborto é gigantesco.  Ele é a terceira causa de morte materna no Brasil, levando também a altos custos hospitalares.

Essa é uma decisão pessoal, de cunho íntimo e deve ser pensada exaustivamente pela mulher e os envolvidos na situação. Independente da decisão tomada, sempre há dor e perda. A mulher precisa de acolhimento e escuta. Assim, o sistema de saúde deve ajudar a mulher. Oferecer segurança e tratamento é proporcionar dignidade humana.

A importância do desenvolvimento infantil primário

5 set

A primeira infância é um período riquíssimo para o bebê e sua família. Tudo é novidade e o mundo vai ganhando um tamanho maior e cada desafio conquistado. Algumas pessoas acreditam que os bebês pequenos têm poucos recursos, pois não falam e tem seus movimentos limitados. Entretanto, não é isso que acontece. Os bebês costumam ser excelentes observadores e, em geral, tem como meta aprender como o mundo funciona. Essa é uma grande sacada: o mundo não vem até o bebê, é ele quem opta por fazer parte do mundo. Essa é uma grande escolha! Ele terá que aprender a se comunicar, mesmo que no primeiro momento não use palavras. A mãe e seus cuidadores diretos serão os primeiros a decifrarem os enigmas dos bebês. Eles nomearão seus sentimentos, idéias e expressões, até que o pequeno possa fazer isso por si mesmo. Neste processo, tentativas e erros irão acontecer.

É importante sempre que os pais e cuidadores estejam atentos as capacidades da criança. Observar seu comportamento e interagir com o bebê, estimulando-o a descobrir tudo ao seu redor é fundamental para o psiquismo infantil. Um desenvolvimento global adequado pode ser observado naquelas crianças curiosas, com vontade de aprender coisas novas. Bebês seguros e confiantes tendem a ser adultos com maiores capacidades de enfrentar desafios. Criar um ambiente estimulante e rico é fundamental, mas também se deve prestar atenção na qualidade humana da interação com o bebê, um pequeno ser de pura potencialidade.