Como podemos reconhecer o sofrimento infantil?

30 nov

Esse post nasceu de uma ideia muito difunda no senso comum e que costumo ouvir na minha clínica: “toda a criança é feliz”. Bom, esse é um mito bastante equivocado e que trás sérias questões à infância. As crianças sofrem sim, e os pais e cuidadores devem estar atentos a isso.

O que acontece com a criança é que, muitas vezes, seu sofrimento ou preocupação não aparece como em adultos. Sua forma de comunicação é diferente e um conflito pode ser visto na forma da criança se comportar ou reagir nas situações. É frequente que a criança tenha dificuldade na nomeação de seus sentimentos e não os expresse verbalmente.

Assim, é importante observar o estado geral da criança. Algumas questões podem orientar os pais quando a criança muda seu comportamento ou parece entristecida: ela gosta da escola? Tem amigos? Gosta de voltar para casa? Tem atividades/ hobbies próprios? Gosta de brincar?  Tem adoecido com frequência? Ela se machuca (como, por exemplo, roer as unhas) ou destrói seus brinquedos?

O tratamento psíquico é de grande ajuda para a criança poder se expressar e se situar melhor na sua vida e também na relação com seus pais. A Psicanálise trata a criança enquanto um sujeito e, assim, como alguém que pensa, sofre, vive e é capaz de querer melhorar. Tratar uma criança é poder contribuir na construção de um adulto mais feliz.

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2 Respostas to “Como podemos reconhecer o sofrimento infantil?”

  1. Ariany 17/12/2011 às 9:07 #

    Esse é um assunto com o qual me preocupo bastante. Sou filha de pais separados e não considero que tive uma infância feliz, então nunca desejei isto ao meu filho só que infelizmente aconteceu, e ao perguntar se ele prefere ir pra casa da bisa ou do pai recebi a seguinte resposta – ” papai é fod*, ele ta trabalhando” – que por sinal essa é a desculpa dele pra tudo, até quando está falando no telefone. Isso é preocupante pois, olha a palavra que ele usou para expressar uma criança de apenas 2 anos, coisas que aprende na escola porém ele usou para expressar um sentimento que o pai deixou nele. Tenho medo que ele não se sinta feliz como eu não me sentia.

  2. gestantesemcrise 17/12/2011 às 22:16 #

    Ariany,
    Fico comovida com seu relato. É muito triste ver uma criança sofrer tão cedo. Acredito que seu filho perceba a distência do pai e tente reagir a isso de modo ofensivo. Na verdade, nem sabemos se ele tem idéia do que significa o palavrão. Mas, com certeza, ele sabe que coisa boa não é. Entretanto, seu filho tem sorte, pois tem uma mãe que o observa com carinho e pode ajudá-lo nesse processo. Converse com ele, explique o que for possível… Tente não colocá-lo no meio das questões com seu ex-marido. Se as coisas não estiverem bem procure uma ajuda psicológica para vocês. Na minha clínica percebo um apoio especializado faz diferença na qualidade de vida das famílias… Um abraço e boa sorte! Caroline

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