Será mesmo a maternidade a melhor coisa da vida?

4 jun

ImageOntem foi publicada uma coluna na Folha de São Paulo intitulada “Nem todo mundo está feliz com a maternidade” escrita por Cláudia Collucci. De modo interessante, a colunista traz a tona números que apontam para a insatisfação de mulheres em relação à maternidade. Entretanto, por que isso não é visto por aí? Por que as mulheres não falam de suas tristezas em relação ao papel de mãe? E além disso, por que será que os pais não são ouvidos? Parece que essa questão só pode ser vista quando algum bebê é colocado em uma lixeira, como bem ilustra a matéria.

Podemos tentar construir algumas respostas. A maternidade é descrita socialmente como um momento de plenitude, amor, com um ar quase sacralizado. Os coletivos maternos e grupos feministas têm discursos muito fortes, pautados no bem estar do bebê e no mágico momento vivido com a maternidade. A impressão que isso causa é de que é impossível para as famílias falarem de seus sofrimentos e dificuldades em relação aos filhos. Muitas mulheres tem suas vidas totalmente modificadas pela chegada do bebê e nem sempre a mudança é para melhor. É alto o número de casais que se separam após a chegada dos filhos, as mulheres perdem seus empregos e tem dificuldade de contribuir nas despesas familiares. Soma-se a isso o sentimento de perda de identidade, não reconhecimento do corpo e a preocupação de não responder conforme esperado. O discurso para a mãe é seja feliz! Ame seu bebê! É até mais que um discurso, é um imperativo.

Talvez a tristeza de algumas mulheres mostre como nem tudo são rosas e isso ameaça a força dos grupos. Assim, o movimento social de silenciar as insatisfações permeia as mulheres e seus companheiros que tem somente a solidão e frustração como guias. Não seria mais interessante acolher essas famílias do que silenciá-las e atacá-las? Essa pode ser uma forma para evitar que tragédias aconteçam. Que os rompimentos nos vínculos tornem caminhos irreversíveis. É para pensar…

Caroline

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2 Respostas to “Será mesmo a maternidade a melhor coisa da vida?”

  1. Camilla da Cunha Santiago 09/09/2015 às 14:57 #

    me chamo camilla, e estou no oitavo mês de gestação e sinto uma solidão imensa e uma tristeza que não cabe dentro de mim, só vivo chorando e pensando! ninguem da familia do pai da minha filha me procurou, ninguem da minha familia, meus amigos, e o pai da minha filha só as vezes que manda mensagem… não tenho saido de casa, só pra ir ao trabalho e me pego pensando as vezes, se esse sentimento não vai afetar minha filha? porque eu quero que ela nasça logo, só pra poder ter alguem ao meu lado, me sentir querida por alguém.. essa ansiedade misturado com a tristeza acabam comigo. outra coisa que influencia bastante pra mim, é a mudança do meu corpo, o inchaço que fiquei no rosto, as pessoas não olham mais pra mim com desejo, olham com pena que eu continue com esse semblante. não sei mais oque eu faço, oque mais quero é tirar a licença maternidade para que ninguem possa me ver mais..

  2. gestantesemcrise 09/09/2015 às 16:22 #

    Olá Camila. Me parece que muitas modificações ocorreram com você após a gestação e que você precisa de ajuda para lidar com elas. Busque fortalecer sua rede de apoio e procure não se isolar com seus pensamentos.
    Você vai precisar de equilíbrio e apoio para cuidar de sua filha, fazendo o melhor que for possível. Quanto mais solitária, mais desafios…
    Um abraço,
    Caroline

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