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Eu sou o Antônio. A importância do nome próprio no bebê

9 mar

O bebê se desenvolve todos os dias, sem exceção. Mesmo quando não percebemos diferenças no exterior não podemos nos deixar enganar: dentro do bebê novas conexões, relações e vínculos são formados.

A conquista do pEurimeiro passinho ou da primeira palavra são comumente lembradas pelos pais, mas outras aquisições importantes da criança podem passar desapercebidas, uma delas o uso do termo Eu.

O bebê geralmente se auto-refere a partir de seu nome ou apelido, a Caca, o Fefe, a Dedé, repetindo o modo como os pais o chamam. Mas, de repente, ele diz: eu. Eu quero! Eu não gosto. Alguns mesmo antes de falar já pequenos batem no peito mostrando essa referência.

O surgimento da palavra Eu mostra o estabelecimento de uma organização psíquica muito importante, indicando que a criança sempre se relacionará com o mundo a partir de um olhar próprio. Esse marco costuma acontecer entre o primeiro e o segundo ano de vida e os pais devem estar atentos ao seu surgimento.

Sem dúvida estruturar uma unidade psíquica singular é uma conquista. Ela mostra a diferença radical do bebê com todos os outros, sua particularidade, sua unidade de sujeito singular. Novos gostos, novas descobertas. Delícia de acompanhar.

Abraços!

Caroline

O final da lincença maternidade: babá, avós, creche?

7 fev

A maternidade é um mundo completamente novo. Tem mulheres que ficam tão apaixonadas por seus filhos que decidem abrir mão de suas carreiras e passam a se dedicar totalmente aos cuidados com o bebê. Isso pode durar alguns anos ou mesmo para sempre. Essas mães não precisarão se perguntar sobre babá ou creche, mas irão se perguntar sobre qual o melhor momento para a escola.

Contudo, existem várias mulheres que adoram trabalhar e não pretendem ficar no papel de mães em tempo integral. Outras precisam trabalhar para contribuir com o sustento dos filhos. Tudo bem, sem nenhum problema ou julgamento. Não é porque as mulheres desejam retomar seu trabalho que elas não se preocupam com o bebê. Não conheço uma só mulher que não se perguntou sobre os cuidados do bebê no momento de retorno ao trabalho.

As opções mais frequentes são a babá, os familiares ou as creches. Vamos pensar nas características de cada escolha. Não existe caminho melhor ou pior. Existe o que naquele momento é o melhor arranjo possível.

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As babás podem ser ótimas opções para quem tem filhos muito pequenos. Nesses casos, o bebê não irá precisar adaptar sua rotina a rotina de uma instituição escolar. Além disso, ele estará com seu corpo mais desenvolvido contra as doenças infantis ao entrar na escola. As babás podem ser curingas nos casos onde as mães não trabalham tempo integral e podem dividir a tarefa dos cuidados do bebê com elas.

Mas é bastante difícil encontrar uma pessoa qualificada, de confiança e disponível para isso. Alguns pais não suportam a ideia de deixar seus filhos com uma pessoa desconhecida, pois o bebê é indefeso. Ainda acreditam que a babá não é capacitada para prover recursos educacionais. Uma funcionária também é algo oneroso, caro para as famílias e que está se tornando menos comum.

Avós

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Os avós ou familiares podem ser uma boa saída para quem tem dificuldade de confiar seu bebê a uma babá e ainda não querem colocá-lo na creche. Esse arranjo é interessante para aquelas famílias que sentem prazer em cuidar dos netos e ajudarem em sua criação. Mas hoje em dia muitos avós ainda trabalham e são ativos, com uma vida cheia de compromissos pessoais.

Nem todos os avós desejam ajudar na educação dos netos com uma tarefa tão rotineira. Eles curtem mais passeios esporádicos e se dispõem a ajudar nas famosas “emergências”. Além disso, nem sempre tem energia para acompanhar as necessidades de desenvolvimento do bebê e muitos já tem uma saúde comprometida.

Quando se escolhe por um familiar é importante o diálogo prévio com uma série de combinados como, por exemplo, horário e remuneração ou ajuda de custo com os gastos do bebê. Isso ajudará no dia-a-dia para que todos entendam suas tarefas.

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Ótimo recurso para aqueles que não têm familiares ou não acreditam que uma babá pode ser responsável pela educação de uma criança. A vantagem da creche é a segurança. Geralmente é um ambiente vigiado, onde vários profissionais atuam conjuntamente, o que dificulta abusos e maus tratos. Outro ponto interessante é a disponibilidade de horários das instituições para os pais que trabalham.

Quando se opta por um berçário tem que se levar em conta fatores como: localização, recomendação de conhecidos, segurança, higiene e currículo dos profissionais que ali trabalham. Os pais devem-se estar atentos ainda a idade da criança. Muitas escolas aceitam somente crianças acima de 1 ano ou que já se locomovem.

Não existe uma escolha única também. Várias famílias dividem-se em combinações diferentes. O melhor caminho é tentar descobrir o que sua família realmente precisa, tentando atingir o bem estar de todos.

Boa sorte e até o próximo post da série A importância da escola no processo educacional.

Caroline

A importância da escola no processo educacional

6 fev

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Início de ano e a vida começa a voltar ao ritmo normal. É tempo de retomar as atividades de trabalho e período onde as crianças começam a frequentar a escola. Para muitas, será necessário o período de adaptação, principalmente para aquelas que vão à escola pela primeira vez.

Para outras crianças é tempo de desafios: escola nova, amigos novos, um monte de professores e matérias diferentes. Já para os mais jovens é tempo de muito esforço e estudo, pois será necessário pensar em se preparar para o futuro. Lá vem a faculdade e o despertar da vida profissional.

Tudo isso levanta muitas dúvidas nos pais. As mais frequentes são: Como preparar meu filho para o mundo? Que escola devo escolher? O que meu filho precisa para crescer? Qual é a escola que mais atende minhas necessidades?  Babá ou creche? O que meu filho deve saber para a vida?

E o tema ainda mobiliza os filhos: não gosto dessa escola que meu pai escolheu, não tenho amigos, não sei o que cursarei na faculdade, não sou bom o suficiente.

Frente à riqueza do assunto resolvi fazer uma série de posts sobre a importância da escola no processo educacional das crianças e famílias. O primeiro post sairá amanhã tocando na delicada questão da volta da mulher ao trabalho e os cuidados com o bebê.

Espero que gostem,

Caroline

Você já ouviu falar na hora do terror?

29 out

Quem tem filhos deve conhecer ou já ouviu falar na hora do terror. Esse é um nome engraçado para aquele famoso horário de final de tarde, quando as crianças ficam irritadas e inquietas.

Alternativas para pensar a hora mais cansativa do dia

Alternativas para pensar a hora mais cansativa do dia

Esse período geralmente é um momento difícil para os pais e cuidadores da criança e as brigas costumam acontecer.
O problema é que todos estão cansados e a possibilidade de negociação fica mais escassa.
Uma boa alternativa é usar recursos lúdicos para que o momento tenso possa se tornar mais divertido. Algumas mães tem saídas interessantes:
– propor um passeio curto de carro ou a pé. Os estímulos externos despertam curiosidade nas crianças e relaxamento aos adultos;
– atividades de desenho, pintura, argila. A fluidez do materiais e mobilidade permitem a livre expressão.
– banho, água, piscina. Ótimo horário para natação ou aquele banhinho sem pressa. Relaxamento das crianças que trará paz aos pais durante a noite.
Crianças mais calmas e felizes, sem erro.
Pais mais disponíveis e atividades agradáveis para ambos é uma estratégia para evitar confrontos desnecessários e trazer mais harmonia,

Um abraço,

Caroline

Mielomenigocele: cuidados e perspectivas

19 jun

Olá. Esse post apresenta a última parte da entrevista com Julia, mãe da lindinha Clara. Vai falar sobre o parto, os cuidados físicos e psíquicos e as perspectivas de futuro. Espero que gostem!

 

Caroline – Como foi o parto?

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Júlia – Super tranquilo. Muitos médicos conhecidos, minha família, meu marido. Ninguém tava nervoso, conversamos sobre amenidades. Minha família pôde ver na encubadora. Ela nasceu com 31 semanas porque minha cicatriz uterina da cirurgia estava rompendo. Não foi possível  segurar mais. Ela nasceu com 1,575kg. Mas nasceu bem, não usou aparelho para respirar.

 

 

Caroline – Como foram os primeiros dias após o nascimento da Clara?

Júlia – Esse foi o pior momento, quando ela foi para UTI neonatal. Foi triste vê-la quando ela nasceu. Muito magrinha, com as perninhas tortas. Cheia de acessos. Toquinha de gaze, pelada. Imagem chocante. Foi bom que ninguém mais viu, que não podiam ir visitas. Na própria UTI ela usou tala, a perninha foi voltando. Quando veio para casa já tava mais gordinha, tinha quase um mês.

A UTI horrível. É ruim ir embora e deixar o seu filho… Eu passava o dia todo lá. Só saia após a troca de plantão. Queria falar: gente, essa é minha filha, cuida dela. Eu ficava lá pelo amor, pela vontade de estar com ela.

 

Caroline – Você percebeu efeitos da sua presença na recuperação dela?

 

Júlia – Sim, desde o canguru. Ela adorava. Meu jeito ajudou, sou bem otimista. Sempre acho que as coisas vão dar certo. Minha família me apoiava 100%.

Na UTI tinha uma equipe bacana. Tinha uma psicóloga que passava todo dia. Ela conversava, fazia reuniões. Também tinha as outras mães. Vi que não era só comigo que isso tinha acontecido. Comecei a pensar que meu problema não é tão grande, tem milhares de outros problemas no mundo. Ao mesmo tempo que é muito ruim estar lá, também é muito bom ver que não é só com você.

 

Caroline – Que cuidados a Clara precisa hoje? Como vocês lidam com a mielo?

 

Júlia – O principal cuidado é com a locomoção. A Clara é estimulada desde pequena. Faz natação, fisioterapia, hidroterapia. Tomo cuidado porque ela não pode engordar. Sua saúde é ótima, ela é forte.

Um ponto que sempre me perguntam é se ela vai andar ou não. Fico preocupada com isso. Mas não é o mais importante. Ela tem o tempo dela e tudo que está ao meu alcance está sendo feito. Dizem que 95% das crianças, com a mesma lesão que a Clara tem, não vão andar. Mas tento junto com os médicos me focar nos 5%.

Optei por um tratamento domiciliar de fisioterapia várias vezes por semana. Mas percebo que há várias batalhas que não só a doença em si. Um exemplo é a falta de acessibilidade para ela. Rampas de acesso, banheiros públicos adequados. Vou brigar pelos direitos dela, e apoiá-la sempre para que seu acesso seja garantido.

 

Caroline – Nesse ponto as redes sociais são importantes?

Júlia – Penso que é importante ela ter contato com outras crianças que também tem dificuldades. É importante trocar experiências. Fico pensando: cadê as crianças com necessidades especiais? Como as crianças vão lidar com ela?

Faço parte de redes sociais que discutem a mielomeningocele e a cirurgia a céu aberto. Troco com as outras mães minhas dúvidas e as vivências e as delas também.

 

Caroline – E como está sua vida depois que ela nasceu?

 

Júlia – Eu resolvi parar de trabalhar porque quero acompanhar ela. Quero ver ela na fisio, nas atividades. Estimular. Não vou deixar com os outros se eu posso estar com ela. Sou muito apegada e ainda não consigo deixá-la. Deixo no horário que ela está dormindo. É difícil sair. Ainda estou no processo. É muito prazeroso ver a evolução dela. Ver que nosso esforço está valendo a pena.

Acho que minha vida mudou porque tive um bebê, mas não pelo fato dela ter mielo. Um bebê muda a vida. Penso em ter mais filhos, acho muito importante ter irmãos. Irmãos são mais importantes do que estudar na melhor escola. Irmão é um amigo seu para a vida toda e eu quero que ela tenha isso.

 

Caroline – Que mensagem você deixaria para as mulheres que recebem esse diagnóstico?

 

Júlia – Diria para saírem do Google e conversarem com o médico. Diria para elas buscarem informações atualizadas. Hoje as crianças tem qualidade de vida, mesmo as que não são operadas intra-utero. É algo que vale a pena. É um mundo novo que você descobre. Nunca imaginei que tinha tanta gente com tantos problemas. Mas não é o fim do mundo.

Hoje muita gente acha um absurdo ter um bebê doente. Até falam isso para mim, mas não me incomodo. A pessoa não sabe o que está falando. É muito fácil falar quando não é com você. A pessoa pode ter um filho que não tem nada e amanhã ou depois algo pode acontecer. Quando você escolheu ter um filho você tem que estar disposta a tudo. Câncer. Sabe-se lá. Tem que aceitar o que vier. Vamos dar a melhor qualidade de vida que ela poder ter.

 

Agradeço muito a participação da Júlia e da Clara no blog. Espero que ela possa ajudar a outras mulheres e famílias em um momento delicado.

Algumas redes e blogs de mães e famílias portadoras de mielo são uma boa fonte de troca e informação, entre elas o blog Vencendo a Mielo e a rede do Facebook Mielomeningocele (troca de experiências)

Obrigada!

Caroline

Existem benefícios em um atendimento psicanalítico para crianças autistas?

21 nov

No caso do autismo o tempo é um fator importantíssimo para pensarmos em avanços terapêuticos. Graças aos avanços nas pesquisas e treinamento dos profissionais da saúde, o diagnóstico está ocorrendo mais cedo, ainda na primeira infância. Isso possibilita melhorias importantes para o sujeito autista e sua família. Alguns estudos têm desenvolvido protocolos de sinais e sintomas para que o pediatra possa ter, mais facilmente, indicadores para risco psíquico infantil (entre eles o autismo), inclusive apoiados pelo Ministério da Saúde.

Os autistas geralmente recebem prognósticos limitadores, bem como escassez de tratamentos eficientes. Um tratamento em voga atualmente e recomendado pelos médicos é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), com enfoque nos comportamentos e no aprendizado. Contudo, a psicanálise pode ser um tratamento com mais possibilidades, pois aposta que ali há um sujeito e não apenas comportamentos resultantes de uma síndrome orgânica. Isso não invalida os resultados da TCC, mas aponta para uma insuficiência.

Ao atender o sujeito autista, existe uma aposta na linguagem, no simbólico e na possibilidade de vínculo entre ele e o mundo. Outro ponto importante são os atendimentos aos familiares, para que possam dar espaço e cuidado ao sofrimento e a dificuldade de lidar com quadros tão difíceis. Alguns atendimentos são de forma conjunta e podem acontecer muito precocemente, entre mães, pais e bebês. Ao contrário do que algumas linhas teóricas afirmam tal condução clínica não significa que a psicanálise condena os pais, em especial a mãe, como responsável pela doença do filho. Atender pais e filhos juntos é uma tentativa de fazer vínculo entre eles, ajudando no tratamento e no dia-a-dia da família.

Algumas instituições oferecem tratamento a preços populares, eventualmente, até gratuitos. Em São Paulo: Projeto Espaço Palavra da Clínica da PUC, Lugar de Vida, Clínica Psicológica da USP, Rede clínica do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo, são sólidas no atendimento psicanalítico.

Boa sorte e até o próximo post!

 

Links com um trabalho muito interessante da área:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1415-71282006000200010&script=sci_arttext

 

 

 

 

Podemos falar em causas de autismo?

13 ago

Quantos de vocês já viram uma criança estranha, esquisita, com um comportamento diferente das demais? Muitas delas podem apresentar alguma manifestação do espectro autista. De forma muito simplificada, o autismo pode ser caracterizado por uma disfunção global do desenvolvimento que afeta diversas áreas do indivíduo como a linguagem, as relações sócio-afetivas e o aparelho cognitivo e motor.

Apesar das novas pesquisas no campo biomédico, as causas da síndrome ainda são desconhecidas. O campo médico desenvolve teorias de caráter genético, imunológico e influências ambientais (como vacinas) para tentar dar conta de uma explicação. Entretanto, ainda não há certezas sobre as causas.

O campo da psicologia tentou usar fatores ambientais e familiares para explicar a doença. De modo geral, teorias desastrosas de culpabilização dos pais, em especial da mãe, não contribuíram para aliviar o sofrimento das famílias. Termos como mãe geladeira, mãe fria ou ausente foram desenvolvidos para justificar o comprometimento do autista.

A psicanálise sofreu críticas sobre seu modo de ver a questão, mas algumas linhas posicionam-se contrariamente a essa culpabilização materna. O trabalho de Marie Christine Laznik mostra o sofrimento das mães frente a não resposta do bebê, a falta de olhar e não capacidade de fazer vínculos amorosos. Desse modo, o sujeito tem uma responsabilidade pelo seu sofrimento e precisa de tratamento o mais rápido possível. É disso que trataremos no próximo post.

Um abraço!

Você deixa seu filho crescer?

31 maio

Você deixa seu filho crescer? A primeira vista parece uma pergunta estranha.

Como assim? Crescer é algo complexo e não tem a ver somente com crescer fisicamente. Crescer significa explorar o mundo e se relacionar com ele de modo independente.

Muitos pais se referem aos seus filhos como bebês, mesmo com 2 ou 3 anos. Mas ele não é mais um bebê e pode perceber a contradição. Algumas crianças ficam assim “pressas” no rótulo de bebês e se arriscando pouco no contato com o mundo exterior. Isso pode ser visto em crianças que demoram para sair das fraldas, têm medo constante de estranhos e não conseguem se afastar dos pais (mesmo em ambientes seguros, como a escola).

Permitir que a criança cresça implica em proporcionar desafios, estimulação e se surpreender com o que ela pode dizer e fazer. É tão gostoso ver uma criança aprendendo coisas, tendo seu próprio espaço em casa e na escola, tendo uma rotina própria… Quando isso é valorizado, podemos observá-la contando sobre suas experiências, por exemplo, como foi seu dia na escola ou com a babá. Assim, ela troca com seus pais suas vivências, criando intimidade.

Aproveitem o desafio e deliciem-se com o desenvolvimento de seus filhos!

Um abraço!

A importância em se colocar limites nas crianças – A parte da escola

9 maio

Antes de começar o post de hoje quero pedir desculpas, aos meus leitores, por minha ausência.  Tive dias corridos, muito trabalho e não foi possível atualizar o blog como eu gosto. Ufa, mas agora vamos lá falar da escola e dos limites!

 

A escola pode desempenhar um fator importante na criação dos nossos filhos. Por isso é tão essencial a escolha por uma boa escola, principalmente em relação ao estabelecimento de regras e limites. Algumas escolas acham que devem deixar as crianças livre, mas isso não significa deixá-las fazerem o que quiserem. Boas escolas trabalham com combinados de grupos, rotinas, regras de conduta… Mas o que são essas balizas? São meios de comunicar à criança o que pode ou não ser feito. Por exemplo: bater no amigo não pode. Tente conversar. Podemos comer na hora do lanche, mas não no horário da aula. Apesar de simples, essas falas ajudam muito no entendimento da criança pelas regras de grupos e na organização temporal.

Por ser um ambiente onde a criança estará sozinha, na escola ela precisará se adaptar ao funcionamento de um lugar não familiar, com regras preestabelecidas e que não dependem apenas da vontade dela. As amizades também oferecem uma boa oportunidade de conhecer os sentimentos dos outros e o desabrochar da sensação de respeito. Afinal, as próprias crianças, em seus pequenos grupos, irão aprender a dizer sobre si e o que gostam ou não em um amigo.

Desse modo, fatores externos ajudam no estabelecimento de regras e na formação da conduta social. A escola talvez seja o mais relevante e deve fazer sua parte.

Um abraço!

A importância em se colocar limites nas crianças: A parte dos pais

15 mar

O tema dos limites nas crianças nem sempre é fácil de ser discutido. Isso porque, ao contrário do que muitos dizem, não existem regras prontas que possam ser ensinadas aos pais. Por isso, discutirei em três posts os desafios de criar os filhos, segundo a perspectiva do estabelecimento de limites na infância.

Primeiro ponto: os pais. Limites e educação geralmente se relacionam com a criação dos próprios pais e muito dessa história paterna afetará o desenvolvimento da criança. Isso não é um problema, mas sim um modelo forte que contribui inevitavelmente e que precisa ser trabalhado. Os pais amam muito seus filhos e, às vezes, esse é um amor cego. Eles permitem que os filhos façam tudo o que desejam, criando pequenos tiranos. É comum observarmos na clínica psicológica o baixo nível de tolerância à frustração nas crianças. Mas o que é isso? Na verdade é bem simples: são crianças que não toleram ser contrariadas. Tudo tem que ser do seu jeito, na sua hora.

A missão aqui é mostrar aos pais que os limites são fundamentais. Digam poucos nãos, mas quando os disser é importante manterem o não. O não fornece a sensação de limite, mas também de segurança. É a baliza que mostra até onde a criança pode ir. Eu sei que falar é fácil, mas fazer é difícil. Somos humanos e não queremos que nossos filhos sofram… Mas isso é necessário. É indispensável para a criança. Pais que educam de verdade não são castigadores, mas quem possibilita a primeira sensação segura e real com o mundo.

O próximo post é sobre o papel da escola! Não percam!

Abraços…