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Como podemos reconhecer o sofrimento infantil?

30 nov

Esse post nasceu de uma ideia muito difunda no senso comum e que costumo ouvir na minha clínica: “toda a criança é feliz”. Bom, esse é um mito bastante equivocado e que trás sérias questões à infância. As crianças sofrem sim, e os pais e cuidadores devem estar atentos a isso.

O que acontece com a criança é que, muitas vezes, seu sofrimento ou preocupação não aparece como em adultos. Sua forma de comunicação é diferente e um conflito pode ser visto na forma da criança se comportar ou reagir nas situações. É frequente que a criança tenha dificuldade na nomeação de seus sentimentos e não os expresse verbalmente.

Assim, é importante observar o estado geral da criança. Algumas questões podem orientar os pais quando a criança muda seu comportamento ou parece entristecida: ela gosta da escola? Tem amigos? Gosta de voltar para casa? Tem atividades/ hobbies próprios? Gosta de brincar?  Tem adoecido com frequência? Ela se machuca (como, por exemplo, roer as unhas) ou destrói seus brinquedos?

O tratamento psíquico é de grande ajuda para a criança poder se expressar e se situar melhor na sua vida e também na relação com seus pais. A Psicanálise trata a criança enquanto um sujeito e, assim, como alguém que pensa, sofre, vive e é capaz de querer melhorar. Tratar uma criança é poder contribuir na construção de um adulto mais feliz.

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É possível pensar em uma Psicanálise com bebês?

26 out

Aposto que a idéia de psicanálise com bebês soa como algo estranho para muita gente. Afinal, como é possível usar uma prática que trabalha com a linguagem em recém-nascidos? Pois não somente é possível como é de muito auxílio na prevenção do sofrimento infantil. Na minha experiência em berçário, no atendimento a pais e bebês internados pude comprovar a eficácia da técnica e gostaria de compartilhá-la com vocês. O caso clínico ilustra bem a idéia do cuidado infantil.

Uma das minhas funções no berçário era “conversar com os bebês”. Françoise Dolto, psicanalista francesa, foi uma das primeiras a apostar nesse tipo de intervenção. A equipe achava essa prática estranha, mas não se opunha a ela. Um dia, ao entrar no berçário, vi uma pequena bebê que chamarei aqui de Paula. Ela tinha apenas 15 dias de vida e havia nascido com uma grave hidrocefalia, além de outras complicações. Seus pais moravam em outra cidade e não vinham visitá-la. A equipe de saúde não acreditava na sua recuperação e isso pode ser “dito” de várias maneiras: isolamento de sua incubadora para um canto do berçário, distanciamento da equipe, pouca comunicação com os pais etc.

Ao me aproximar dela uma colega da enfermagem me disse: com essa nem adianta conversar. Ela não irá resistir. Não pude deixar de pensar: que triste destino… Logo me sentei ao seu lado e começamos nossa conversa. Ela consistia da estória do bebê, da apresentação do hospital, nomear as pessoas que cuidavam dela, explicar a ela quem ela era e o que estava fazendo lá. Aproximar os ditos dos pais também é muito importante nesse trabalho. Os pais fazem um ninho simbólico, com palavras, desejos e lugares para o bebê. Acredito que essa rede de saberes e de palavras fornece sustentação ao surgimento de um sujeito.

De modo interessante, Paula foi melhorando. Sua mãe passou a visitá-la e reinvestir na criança, que havia sido desenganada. Aos poucos, ela podia interagir: sorrir, balbuciar, olhar… Nesse momento, a equipe também passou a reinvestir na bebê e acreditar que seria possível mudar seu destino. O final? Ela sobreviveu. Claro, com condições físicas difíceis. Não soube mais dela após a alta hospitalar, mas acho que ela teve uma chance de engatar na vida. A Psicanálise mostra como a palavra cura e acalenta. Os bebês precisam dela para se estruturar psiquicamente. Conversar com eles é muito importante. E algo eles entendem, viu?

A importância do desenvolvimento infantil primário

5 set

A primeira infância é um período riquíssimo para o bebê e sua família. Tudo é novidade e o mundo vai ganhando um tamanho maior e cada desafio conquistado. Algumas pessoas acreditam que os bebês pequenos têm poucos recursos, pois não falam e tem seus movimentos limitados. Entretanto, não é isso que acontece. Os bebês costumam ser excelentes observadores e, em geral, tem como meta aprender como o mundo funciona. Essa é uma grande sacada: o mundo não vem até o bebê, é ele quem opta por fazer parte do mundo. Essa é uma grande escolha! Ele terá que aprender a se comunicar, mesmo que no primeiro momento não use palavras. A mãe e seus cuidadores diretos serão os primeiros a decifrarem os enigmas dos bebês. Eles nomearão seus sentimentos, idéias e expressões, até que o pequeno possa fazer isso por si mesmo. Neste processo, tentativas e erros irão acontecer.

É importante sempre que os pais e cuidadores estejam atentos as capacidades da criança. Observar seu comportamento e interagir com o bebê, estimulando-o a descobrir tudo ao seu redor é fundamental para o psiquismo infantil. Um desenvolvimento global adequado pode ser observado naquelas crianças curiosas, com vontade de aprender coisas novas. Bebês seguros e confiantes tendem a ser adultos com maiores capacidades de enfrentar desafios. Criar um ambiente estimulante e rico é fundamental, mas também se deve prestar atenção na qualidade humana da interação com o bebê, um pequeno ser de pura potencialidade.