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Queria tanto um parto normal, mas eu não consegui…

28 ago

É impressionante como é comum ouvir essa frase. Não só no consultório, mas no shopping, no cabeleireiro, nas festas, no mundo social em geral. “Eu queria tanto um parto normal, mas não deu”. Os motivos são os mais bizarros e injustificáveis do ponto de vista da saúde pública, isso é fato: meu bebê era grande demais, tinha circular de cordão, eu não dilatei, entre outros.

O desejo por um Parto Normal pode virar um fracasso para a mulher

  O desejo por um Parto Normal pode virar um fracasso para a mulher

 

Obviamente não somos ingênuos e sabemos da indústria da cesárea no país. Observamos a postura adotada por alguns médicos que olham apenas para sua conveniência, praticidade e bolso. Entretanto, o que não olhamos ou não queremos saber é para a tristeza das mulheres que dizem isso ou o sentimento gerado por essa “não conquista”.
 

O discurso do empoderamento feminino é bárbaro. Aponta as possibilidades de fortalecimento, autonomia e liberdade de escolhas. Mas existe um efeito colateral: a frustração e o fracasso. “Eu não consegui um parto normal” pode ser entendido por elas como “Eu não fui capaz, eu não consegui”. E isso nem sempre é verdade. No parto intercorrências podem surgir e nem sempre isso depende da mulher.

A sensação de fracasso gerada no pós-parto pode ser tão intensa que chega a atrapalhar a vinculação da mulher com seu bebê, inclusive gerando um sentimento de incapacidade materno. Um exemplo clássico é a dificuldade posterior com a amamentação. Culpabilizar a mulher por um suposto insucesso é perigoso!

Uma mulher que não teve parto normal não é menos mãe ou menos mulher. O parto é uma etapa da maternidade e não reflexo definitivo dela. Vamos ouvir mais e julgar menos? Afinal, a verdadeira humanização, a meu ver, é a particularização do olhar.
Abraços!
Caroline

Como escolher a maternidade ideal para a chegada do bebê?

25 fev

A chegada do bebê é um momento único para todas as grávidas. E, por incrível que pareça, a experiência do parto pode ser muito influenciada pelo local de nascimento escolhido para a grande hora! Ufa, são tantas coisas a pensar: localização, preferência do médico, locais cobertos pelo plano de saúde, falta de vagas…

  1. A preferência do médico deve ser ouvida com carinho. Isso porque quando ele está acostumado a trabalhar em uma determinada instituição ele pode conhecer e se relacionar melhor com a equipe de saúde. Isso também pode facilitar para uma internação mais ágil e menos burocrática.
  2. Cheque com o convênio de saúde todos os locais disponíveis. Não deixe de visitá-los e aproveite para conversar com profissionais que lá atendem.
  3. Converse com outras mulheres que tiveram seus bebês no local escolhido. Veja se elas gostaram do atendimento recebido e se recomendam a instituição.
  4. Se você usa o SUS não deixe de ter algumas opções. Talvez você pode não ser atendida na unidade escolhida e precise recorrer à outra instituição. Mesmo que uma boa maternidade seja distante de sua casa ela poderá ser usada.
  5. Ao optar por uma casa de parto conheça o local e siga as dicas acima. Em casos de partos normais e pacientes de baixo-risco elas podem ser uma ótima opção.
  6. Em casos de gravidez com complicações é importante o local oferecer recursos como UTI neonatal e materna.
  7. Para finalizar a principal dica: não se impressione apenas pela beleza do local! Algumas maternidades são lindas, modernas, mas fornecem um atendimento desumano e totalmente rotinizado, ou seja, sem individualização de gestante para gestante.

Boa sorte!

Por que as mulheres querem a cesárea? Comentários sobre a reportagem do Jornal Hoje

13 fev

No dia 8 de Fevereiro o Jornal Hoje exibiu uma matéria bem interessante sobre as altas taxas de cesariana no país. Nota 10 para a iniciativa de uma grande emissora em entrar no mundo do mercado da assistência ao parto. Infelizmente, a nota não é tão boa em relação ao que foi exibido.

Para entender por que as mulheres “preferem” a cesariana, o Ministério da Saúde encomendou à FIOCRUZ uma pesquisa que irá ouvir 24 mil mulheres, buscando motivos para a suposta preferência. Essa iniciativa é ótima e espero ouvir as verdadeiras razões, pois o que foi exibido não reflete a realidade. As mulheres foram colocadas como responsáveis por tal fenômeno. No Brasil, as taxas de cesarianas chegam a 30% no SUS e 82% na rede privada, enquanto o recomendado é 15%.

Apresentaram-se mulheres dizendo que têm medo do parto normal, devido à dor. Bom, hoje existem métodos seguros de analgesia, ou seja, de alívio para dor. Mas a realidade é bem diferente. Poucos locais disponibilizam médicos anestesistas e outros nem garantem a presença de um acompanhante, o que é um desrespeito à Lei. Que dirá questionar o médico sobre suas condutas, como aponta o Secretário de Atenção à Saúde…

Segundo Alberto Zaconeta (presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia) as cesarianas só vão diminuir quando as mulheres e os hospitais mudarem a mentalidade. Bom, mas e os médicos? Não vamos discutir as cesáreas eletivas em dias de semana, o chamado “sofrimento fetal” que justifica todas as intervenções cirúrgicas, e a agenda do profissional? Afinal, pela rapidez do procedimento em casos de cesarianas, o médico pode agendar até 6 operações em um dia, bem diferente de um parto normal. Além de outros 1000 motivos como: reserva de mercado, hierarquização da saúde, baixa qualidade da assistência e etc… Será que são as mulheres que querem a cesárea ou elas foram ensinadas a querê-la?

Veja a matéria e forme sua opinião! Um abraço!

Matéria sobre as altas taxas de “partos” cesarianas no Brasil

8 fev

Amigos, hoje o Jornal Hoje irá transmitir uma matéria sobre as altas taxas de cesarianas no Brasil. Acho que vale a pena ver. Amanhã farei comentários no blog!

Abraços!!!

Como escolher um obstetra ou uma parteira?

22 nov

A escolha do obstetra ou de uma parteira deve ser feita cuidadosamente. Infelizmente, para a maioria das mulheres essa escolha não se dá livremente, devido a fatores como imposições de planos de saúde, profissionais reduzidos no SUS ou baixo conhecimento do tema.

Entretanto, a mulher pode e deve se preocupar com a qualidade do profissional que irá realizar seu parto. É muito comum ouvir as lamentações de mulheres que desejavam um parto normal, mas que (pelos motivos mais absurdos) foram submetidas às operações cesarianas. Sim, operações. Outra história comum é o abandono das mulheres no momento do parto, pois o médico alega ganhar pouco pelo procedimento. Nesses casos, quem faz o parto é o plantonista ou a mulher precisa ser removida para outra unidade de saúde.

Deixo algumas dicas que podem ajudar na análise do profissional:

1)      Peça indicações de pessoas conhecidas que gostam e recomendam o profissional.

2)      Muitos médicos dizem que fazem parto normal, mas na hora não fazem. Se você prioriza um parto normal, procure indicações de pessoas que você conheça que tenham conseguido parir por essa via.

3)      Perceba como é o atendimento no pré-natal. Observe se o profissional é atencioso, interessado e cuidadoso. Um ponto importante: veja se ele te escuta e respeita suas preferências sobre o andamento da gravidez e parto.

4)      Você pode fazer uma pesquisa na internet para saber o que dizem sobre o profissional. Trabalhos, congressos e o próprio currículo podem estar online. Uma dica é usar a plataforma Lattes (um site que reúne o currículo de profissionais que são pesquisadores, formadores ou atuam em programas do Governo). É só digitar o nome do profissional e ver o que aparece. O link é: http://lattes.cnpq.br/

Espero que essas orientações sirvam de auxílio! Um abraço!

Mais dinheiro para estádios de futebol! Cadê o esforço público em reduzir a mortalidade materna?

20 out

 

 

Baixa qualidade da assistência na gravidez

A baixa qualidade da assistência à gravidez não reduz a mortalidade materna no Brasil

Um recente estudo publicado na conceituada revista The Lancet apontou que o Brasil não conseguirá cumprir com as metas estabelecidas para a redução da mortalidade materna no país. Alguns fatores são apontados para o descumprimento, entre eles o excesso de cesarianas.

Entretanto, acredito que a vontade política faz toda a diferença. É assustador ver o montante de dinheiro investido em obras eleitoreiras, como os estádios da Copa de 2014. Somente a obra do “novo Maracanã” custará algo em torno de R$1 bilhão de reais. Imaginem como esse dinheiro poderia ajudar na construção de hospitais, casas de parto e melhorias na equipe e na estrutura de atendimento à mulher e aos bebês! Pena que isso não dê votos nas urnas…

Se o Governo priorizasse a atenção à saúde materna infantil talvez as metas de redução pudessem ser atingidas até 2015. Triste inversão de valores. Cabe a nós questionar essas prioridades. Vocês podem acessar uma matéria sobre o tema no site da BBC, o link segue abaixo. Vamos reivindicar o direito universal à saúde de qualidade!

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110920_mortalidade_brasil_pu.shtml

A banalização da cesariana: todo mundo faz, todo mundo quer

14 out

O número de partos cesáreos realizado no Brasil cresce assustadoramente. Entretanto, as pessoas recorrem à cesárea cada vez mais baseadas em argumentos que não se sustentam cientificamente. Traduzindo: nem sempre o que nos contam são verdades. Um parto cesáreo mal indicado pode complicar muito o desfecho do nascimento, inclusive levando a sofrimento e danos físicos e psicológicos.

Mas por que se fazem mais e mais cesáreas? Dois movimentos ajudam a explicar: 1) o movimento médico, que coloca a cesariana como padrão de atendimento de qualidade; 2) as mulheres, que cada vez mais acreditam que um parto cesáreo não envolve dor. O agendamento da cesariana é tão comum, que hoje as mulheres marcam o parto, unha e cabeleireiro para estarem bonitas na maternidade.

Não se trata de ser contra a medicina: ela salva vidas e a cesariana é útil em muitos casos. Trata-se de questionar o abuso de uma gama de intervenções que nem sempre são benéficas para mãe ou o bebê, como a episiotomia (mais conhecida como corte do períneo), por exemplo.

O documentário The Business of Being Born explora a medicalização do parto e aponta a importância de informações seguras para a mulher decidir sobre seu parto. Afinal, como defendem as mulheres do documentário, quem dá a luz ao bebê é a mulher e não o médico ou a parteira. Eles estão lá para auxiliar na tarefa do nascimento. O vídeo segue abaixo. Aproveitem!

O vergonhoso atendimento de saúde à gestante

29 ago

Ontem, assistimos no Fantástico, mais uma reportagem sobre o caos no atendimento à mulher grávida e seus bebês. Segundo a reportagem, na cidade de Barreiros, no interior de Pernambuco, só existe atendimento médico no hospital de segunda a quinta-feira. Bom, desse jeito só resta às gestantes parirem nesse horário pré-estabelecido. Como isso pode ser cogitado?  Ou pior, como isso pode ser aceito pela Secretária de Saúde local? O que mais entristece é o fato de que isso não é algo pontual, mas sim bastante predominante no país. Enquanto nada se faz, as mulheres e seus bebês morrem à beira de hospitais, sem a menor assistência.

Obviamente, nem todos os partos precisam de um obstetra, mas sim de uma equipe de saúde de qualidade. Parteiras são profissionais capacitadas para realizarem partos sem complicações, trabalhando em conjunto com obstetras, encaminhando casos mais graves. Contudo, o que não existe é uma equipe de saúde decente, que trabalhe em conjunto e que pense no bem-estar da dupla mãe-bebê. Interesses corporativistas e falta de competência do poder público são problemas que precisam ser combatidos.

Frente ao descaso com a população, as taxas de mortalidade materna são altíssimas no país. Elas são o reflexo da falta de assistência de qualidade ao ciclo da gravidez, principalmente no momento do parto. As mulheres precisam ser atendidas com dignidade e respeito, evitando mortes desnecessárias, traumas e perdas.

Um caminho para combater esse caos é a denúncia e postura ativa das gestantes. É possível buscar ajuda nas ouvidorias das instituições de saúde, das prefeituras e poderes públicos, além dos Conselhos de Medicina. Lute por isso!

Você já ouviu falar em plano de parto?

22 ago

O plano de parto nasceu nos Estados Unidos e hoje é difundido internacionalmente. No Brasil, porém ele é pouco conhecido. Ele é um documento ou uma lista de planejamentos da gestante sobre a hora do parto. Pode contemplar itens como a aceitação de alguns procedimentos médicos, suas preferências sobre posições e técnicas de alívio da dor, quem poderá estar presente nesse momento, como será a interação com o bebê após o nascimento, entre outras. Um exemplo é a decisão de amamentar o bebê ainda na sala de parto, sem a separação imediata do bebê logo após o nascimento.

Em nosso país, o item mais conhecido é a busca da mulher pelo lugar ou instituição em que dará a luz. Hoje é comum que mulheres visitem hospitais e diferentes instituições de parto, visando encontrar um lugar ideal. Mas esse deve ser apenas um dos itens escolhidos pela mulher e não o único.

Infelizmente, é nítido que as mulheres brasileiras pouco sabem sobre seus direitos em relação ao parto e ao nascimento. Poder pensar em um plano de parto é tornar-se capaz de escolher, refletir sobre o que elas desejam para si e seus bebês. Um bom caminho para amadurecer o planejamento é a busca por leitura de qualidade, conversar com grupos de atenção à mulher gestante e uma relação de confiança com a equipe de saúde.  Deve-se apoiar e respeitar a elaboração de um plano de parto, pois ele é um reflexo das escolhas das mulheres!