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Qual é o tempo certo para fazer o desmame do ponto de vista psicológico?

23 jan
desmame

Devemos olhar sempre cada caso em particular

Esse post nasceu de um email enviado pela Eliane, autora do blog mãe de moleque. A questão dela é muito relevante: por que algumas mães continuam a amamentação por longos períodos? Às vezes, até por anos? Qual o ponto de vista psicológico envolvido nisso?

Bom, antes de começar, gostaria de dizer que a amamentação é muito importante para mãe e para o bebê. É preconizada pelo Ministério da Saúde e deve ser estimulada. Existem grupos que defendem a amamentação estendida e por livre demanda, ou seja, dar o seio quando a criança quiser. Entretanto, existem questões psíquicas que devem ser consideradas.

O desmame pode ocorrer naturalmente a partir dos seis meses. Algumas crianças abandonam por conta própria o leite materno e se interessam por outros alimentos. Elas têm iniciativa e as mães podem até estranhar a precocidade do desmame. Isso é reflexo da capacidade da criança de ir fazendo uma separação gradativa da mãe em direção ao mundo. Não é algo preocupante a principio. É apenas um movimento da criança e deve ser respeitado. Pode ser considerado um ponto importante frente à autonomia e o desenvolvimento infantil.

Em outros casos, a mãe quer iniciar o desmame e a criança não aceita. Ela quer o seio o tempo todo, mesmo com mais de um ano de idade. Nesses casos, devem-se estabelecer limites e tentar entender o que a criança quer ao solicitar o seio. Pode ser que ela queira carinho, proximidade ou amor e isso não precisa ser mediado unicamente pelo seio. A criança e sua mãe terão que aprender novas formas de afeto que não somente a amamentação. Outras crianças querem a amamentação para manipular as mães em situações familiares. Isso pode soar estranho aos leigos. Como uma criança de um ano ou dois pode manipular os adultos? Quem é mãe ou trabalha com elas sabe que isso é possível sim. Deve-se estar atento para isso, pois a criança se expressa nesse movimento de demanda constante à mãe.

O último caso é o das mães que não querem parar de amamentar e sentem o desmame como um afastamento muito grande da criança. Elas devem buscar ajuda para entenderem o que ocorre. Exatamente por não dar limites, elas podem dificultar a separação natural com a criança e permitir que elas se interessem pelo ambiente o redor. Inclusive, esses casos inspiram preocupações. O que acontece com essa mulher que ela precisa ou permite tanta proximidade com a criança? Crianças de 6, 7 anos não precisam de leite materno para sua nutrição. É uma intimidade que ultrapassa a relação mãe e filho. A mulher precisa voltar a ter seus interesses próprios e retomar sua vida como sujeito. A criança deve crescer e ter a sua vida própria. Assim, esses casos podem ser trabalhados com a ajuda de um profissional de saúde mental, para que a separação entre mãe e criança possa ser feita.

Abraços

Caroline

Como amamentar meu bebê? Quais são os benefícios trazidos pela amamentação?

8 fev

Esse post é a última parte da entrevista com o Dr. Marcus Renato de Carvalho que está sendo divulgada no série Mitos e Verdades sobre a Amamentação. Abordaremos agora as formas de amamentar o bebê e alguns dos muitos benefícios trazidos pela prática. Boa leitura!

    Caroline – Qual é a melhor forma de amamentar o bebê?

Dr. Marcus – Na hora da amamentação, o bebê deve ficar bem juntinho ao corpo da mãe, com o nariz e o queixo encostados no peito. Não precisamos colocar os dedos “em tesoura” para liberar as vias aéreas… Todo recém nascido tem o reflexo de sucção e é capaz abocanhar a aréola. O foco principal é oferecer um posicionamento confortável do bebê no colo da mãe, proporcionando uma boa pega. O tamanho dos seios também não influencia na quantidade de leite produzida pela mulher. A pega nos mamilos é o fator decisivo para a amamentação.

Caroline – E com relação aos mamilos? Existe algo para evitar as fissuras ou machucados na mama?

Dr. Marcus – Para uma amamentação adequada os mamilos podem ser normais, planos ou invertidos: qualquer tipo pode ser abocanhado pela boca do lactente caso a mama não esteja cheia. Esse momento deve ser ser algo prazeroso e não doloroso. Não é para sangrar o bico do seio, rachar ou ter mastite, que é a inflamação/infecção das mamas. Quando isso ocorre, sabemos que a mulher não foi bem orientada. O apoio de um profissional capacitado em manejo da lactação é indicado.

Caroline – E quais são os reais benefícios da amamentação para o bebê? Por que é importante estimular o aleitamento?

Dr. Marcus – A amamentação é benéfica tanto para o bebê quanto para a mãe. Ela estimula o crescimento saudável e o desenvolvimento de toda a face, além de evitar infecções e diversas doenças crônico-degenerativas, cânceres, alergias etc. Outro ponto positivo e pouco comentado é a importância dos seios na organização psíquica dos bebês que, ao agarrá-los, sentem-se apoiados na hora das refeições. No caso da mãe, pode-se afirmar que a amamentação diminui a incidência de câncer uterino e de seio, diminui a chance de anemia, além de facilitar o emagrecimento.

Agradeço ao doutor Marcus pela gentileza das informações. Visitem o site da Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação e não deixem de ver outra entrevista bem informativa do médico para a Revista Mundo Estranho.

Créditos:  Marcus Renato de Carvalho é consultor de amamentação pelo IBCLC e docente de Pediatria da Faculdade de Medicina, UFRJ

 

Participe da enquete: por quanto tempo você amamentou seu bebê?

2 fev